É preciso que tomemos consciência de que não somos todos iguais, cada ser é único, é individual, tem suas necessidades, sua leitura do mundo. As Leis tentam garantir a todes os mesmos direitos, mas ainda não é suficiente, assim como as religiões, e nem todas, pregam igualdade entre os seres humanos perante Deus, mas e as religiões que não professam a Deus? Essa pergunta me remeteu a uma cena que vivi, numa discussão no Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, onde uma conselheira quando a pauta era ter ou não cadeira para mulher cristão ela responde que não havia necessidade, porque todas éramos cristãs e eis que uma budista se pronuncia: Eu não sou cristã, sou Budista! A falácia da igualdade entre todes está justamente aí, passamos a ter como foco da leitura de mundo nossa realidade, sem pensar que tem gente que ganha menos que nós, mais pobres, miseráveis, assim como mais ricos e milionários. As políticas públicas não chegam para todas, todes e todos, chega para poucos seres humanos e nem sempre com qualidade. Se todos os seres são iguais, por que há tanta comoção contra Direitos Humanos pras pessoas encarceradas? Por que tem tanta gente contra programas de transferência de renda? Se isso garante que quem não tem dinheiro seja igual? Enfim, é preciso que entendamos que não somos todos iguais, por isso é preciso falarmos sobre todas e todes, sobre cotas, sobre transferência de renda, sobre patriarcado e racismo estrutural.
QUAL FOI A SUA ÚLTIMA PRIMEIRA VEZ?, Por Walkiria Tércia
Permitir-se experimentar a novidade, é sentir-se livre, quando quase sempre justificamos não ter tempo para realizar o que nos é importante ou espacial. Como se o tempo fosse uma força que nos comanda ou nos aprisiona.
A liberdade está em se permitir, em livrar-se do peso ou das amarras que nós nos condicionamos a seguir, por que também nos servem como limitantes para uma zona de conforto já conhecida.
Viver requer coragem, livrar-se do que nos aprisiona com a nossa permissão muitas vezes dói, quase como um rasgar a pele.
Nas vastas listas que ocupam nossa rotina diária quantas delas só cumprem um papel de nos permitir sonhar ou realizar encontros de afetos corriqueiros?
Dia desses, mesmo morrendo de medo de altura, me dispus a visitar uma caixa de vidro no 42º andar de um edifício no centro de São Paulo, foi a primeira vez que conscientemente desafiei um medo meu e como sai mais forte daquele lugar, o frio na barriga deu lugar a um riso frouxe de uma conquista quase que ridícula, mas a sensação da primeira vez é de uma força que nos faz recomeçar.
Que possamos nos permitir a realizar feitos, por menores que sejam em nossa rotinas, pela primeira vez!
