A LIBERDADE PÓS 60 ANOS, Por Walkiria Tércia

Quando me interessei por biografia humana há 12 anos atrás, não tinha referência da teoria para pós 63 anos, na formação como Aconselhadora Biográfica a vida pós 60 passou a me chamar atenção, mas não era meu foco e então chegaram muitas pessoas nessa faixa etária para que pudesse acompanhá-las em seus processos.

Culturalmente há um distanciamento social das pessoas mais velhas, mas ao iniciar estudos dos arquétipos das religiões de matriz africana analogamente à Antroposofia, me encantei pela postura perante "aos mais velhos" como detentores da sabedoria, o que me trouxe uma conexão com minha biografia na figura dos meus avós que viveram além dos 90 anos e então me dediquei aos arquétipos identificados a partir das minhas referências com os trazidos na metodologia biográfica para essa faixa etária.

E de repente me vi dedicada a compreender o fio condutor da biografia que traz a vida após os 63, a tão sonhada liberdade, onde em diferentes biografias é perceptível, a partir de relatos, de uma sensação de missão cumprida, mas uma vontade enorme de servir e de experimentar “coisas novas”, sejam atividades de música, dança, tocar instrumentos ou simplesmente trocar com gente mais nova sobre assuntos corriqueiros ou profundos para aliviar o fardo da vida.

Me encanta a beleza da biografia presente em histórias de vidas tão diversas e complexas, mas que são tocadas pela liberdade após os 60 anos.

ESPELHO, ESPELHO MEU, Por Walkiria Tércia

Em uma reunião de um grupo de estudos só com mulheres comentando sobre a vida, as redes sociais, comentei o quanto me impactava os tais vídeos de limpeza facial e me surgiu a pergunta: se eram vídeos de autocuidado ou de metodologia para inserir uma máscara para encarar a vida social?

E aprofundei a minha análise me deparando comigo frente ao espelho e me perguntando: o que eu vejo?

Do ponto de vista físico, vejo uma mulher gorda, linda, apaixonante. Mas posso ver uma mãe que enfrenta o patriarcado todos os dias para que suas filhas tenham um mundo melhor.

A profissional de sucesso que me tornei, conquistando tanto, nesse mundo fechado para as mulheres de onde eu venho.

Na perspectiva de ser humano, me surpreendi percebendo minha dedicação ao meu autoconhecimento e autodesenvolvimento. Um ser em constante reconstrução para ser mais.

A melhor versão foi me reconhecer como uma pessoa privilegiada, com tantos sonhos realizados e tantos a realizar, três filhas maravilhosas que me orgulham tanto, uma legião de amigas e amigos, que são meu maior tesouro.

Mas ainda sigo me perguntando: Por que é tão difícil nos olharmos no espelho e reconhecermos nossas potências sem nenhum subterfúgio?

E você, o que vê quando se olha no espelho?

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