AMOR É FÉ, Por Milene Mizuta

Sou filha de Iemanjá, aquariana com lua em escorpião da corrente Mariana, cristã devota de Amaterasu, carrego tatuada no braço a mão de Fátima, filha de Mohammed, sou ateia em dias ruins.

Sou brasileira.

A abóboda do meu templo tem estrelas e nas paredes nascem flores, corre água em ritmo no chão de areia que rezo, tem coro de sabiá e batuque de sapo, no meu templo moram todos.

Deus, me permitiu ter o peito furado, meio rasgado por onde entra a fé na humanidade, motivo potente pra crer que adentro uma igreja cada vez que encontro um igual.

Salve Jorge que em imagem de Miguel guarda meu corpo enquanto duvido da finitude da vida e me jogo no mundo.

Salve minha paz, criada pela liberdade de dobrar meus joelhos à todos os santos que tem seus Deuses e crer ao final que tudo é um.

Amém Oxum, oxalá meu Cristo, arigatô Maria, inshala eu siga forte no caminho dividido que eu escolhi, um caminho com brechas pra entrar a luz.

Hoje eu agradeço minha mãe das águas, que me fez menina que chora quando o peito enternece.

Minha fé é no amor.

REENCANTAR-SE, Por Walkiria Tércia

Desde pequena brilha-me os olhos os movimentos da natureza

Flores desabrochando, as borboletas coloridas movimentando-se

Sentir o vento tocando a pele do rosto na brisa da praia ou numa alucinante velocidade descendo uma ladeira de bicicleta.

A vida adulta me trouxe um outro olhar pra vida, mas sigo me reencantando diariamente com cores, brisas, borboletas, ventos e tudo o que me toca o coração.

Há uma beleza sutil na vida, que acontece diante de nossos olhos, mas é preciso coragem para reencantar-se.

É preciso romper para gargalhar alto até doer a barriga, admirar as cores nas bolhas de sabão, cantar uma música bem alto na rua com uma amiga, vestir-se por conforto, tomar um sorvete só e deliciar-se.

É preciso que percebamos os pequenos encantamentos da vida.

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