AMAR, Por Walkiria Tércia

Quero compartilhar uma história que aconteceu há algum tempo atrás: Trabalhando em uma cidade, conheci Josefa, a Zefa, era a "faz tudo" do espaço, servidora pública, uma pernambucana de sotaque puxado, gostoso, de um café fantástico e de um carisma encantador, eu sempre gostei de conhecer os espaços de trabalho conversando com que tá na ponta, servindo e observando.

Zefa dizia que ali tinha passado a infância e adolescência dos 3 filhos, que seu sonho era a aposentadoria pra curtir os netos, eu chegava e logo ouvia sua gargalhada, me acompanhava no turno da noite junto com seu companheiro de trabalho, também servidor Neto, eram uma dupla muito alegre e brincalhona, ela pernambucana e ele cearense. Ríamos muito, de doer barriga, dizia Zefa e eu dizia que por ser uma mulher gorda doíam as bochechas, ela logo soltava: Fale assim de você não, bichinha!

Eu tentava explicar que não era depreciação era só o que eu era de verdade e que não tinha problema em se reconhecer assim, conversamos muito durante o semestre que lá fiquei.

Um dia, falando com as filhas ao telefone no meio de um café nosso, finalizei: Eu Te Amo!

E Zefa me perguntou se era comum dizer: EU Te Amo , respondi que sim, pras filhas, marido, relações mais próximas e ela solta: eu nunca ouvi de ninguém, mesmo algumas vezes que disse quando nova. Foi o tema da noite, até Neto foi indagado se falava e ouvia EU Te Amo!

Tentei dizer pra ela que era falta de hábito, por que ela era tão maravilhosa que era impossível não ter quem amá-la, no dia de seu aniversário fizemos um bolo com todo mundo que era da "noitada", como ela se referia a quem trabalhava no período da noite e pedi que confeitassem a frase Eu Te Amo!

Zefa ficou tão emocionada e ao final fizemos um coro: Zefa, eu te amoooo! Dali em diante passei dias dizendo essa frase a ela, do segundo andar do prédio que ecoava até o salão de baixo, até que um dia quando cruzei o portão, ela me disse: Wal lhe amo!

Chorei e ela também, aí me disse que ia treinar pra falar pra quem ela amava e me agradeceu por ensiná-la sobre AMAR.

FALSA SIMETRIA, Por Milene Mizuta

Conceito literal, duas coisas com tamanhos diferentes estão sendo medidas igualmente. É como se usássemos réguas do mesmo tamanho em lugares distintos de uma mesa e por elas terem o mesmo tamanho estão a mesma distância da beira da mesa.

Analogamente quando falamos de gênero, homens e mulheres estão em lugares diferentes, não estão equiparados, os direitos não são iguais, então toda e qualquer ação de um homem e uma mulher tem consequências diferentes. Outro exemplo, a beleza feminina e masculina tem pesos diferentes, a quantidade de procedimentos estéticos que as mulheres são submetidas são imensamente maiores, não por escolha livre, ou vaidade, mas pelo que chamamos de pressão estética, a qual não afeta homens, por que são belezas tratadas de forma diferente.

Enquanto tivermos o patriarcado como pano de fundo, como sistema vigente, os atos de um homem e de uma mulher serão diferentes. Se um homem gritar com uma mulher toda a carga que ela receberá será diferente se a situação for inversa, por que há um sistema que valida o homem gritar. Se uma mulher sofre uma violência ela sempre é questionada e tem que provar, já o homem nunca será desacreditado.

Esses dados vêm das ciências sociais, a partir da observação do comportamento humano, sejam sobre feminismo, classe ou raça, são conceitos acadêmicos, teóricos que fundamentam as ações dessa sociedade em que vivemos.

Um outro exemplo de falsa simetria é quando um pai bate na criança e alguém fala, mas a criança chutou, como se isso fosse suficiente para o adulto bater, mesmo que a criança não tenha maturidade e só reaja, pra algumas pessoas esse exemplo ainda não faz sentido.

Mas a mensagem é, se você “acha algo” sobre determinado assunto, converse com quem se dedica a estudá-lo para poder ter uma opinião que seja fundamentada em estudos para não praticar a falsa simetria.

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