AFETOS E DESAFETOS NA BIOGRAFIA, Por Milene Mizuta

Essa gente tem minha história.

Quando falo deles, me sinto meio mãe que tem muitos filhos mas um deles é o preferido, com tanta gente que amo e que posso chamar de irmãs e irmãos o que faz deles donos e donas da dianteira, senhoras e senhores do meu farol?

Eles tem minha história.

Desde que cheguei nesse pedaço de terra, eles tem o registro de cada dia que andei.

Eles tem o livro da minha existência;

Juntos podem contar as crônicas da minha vida;

Notários de registros de todos meus inventários de afeto e desafetos;

Intactos e inteiros à todo meus caos e disparates, sofreram do meu ódio, e tiveram meu mais terno amor.

O que eu sou hoje em pessoa tem deles muito, se você me ama, agradeça as vezes que eles me amaram.

Mãe solo, filho no colo, latino-americana sem dinheiro no bolso, me recolheram, criaram meus filhos, me odiaram por dias, talvez meses, nunca desistiram de mim.

Não tem uma única vez que não falamos daquela que morreu.

Por ter minha história eu só posso ser verdade ao lado deles, quando desafortunadamente erro a retórica e tento contar pra eles as mentiras que conto pra mim, alguém como guardião da história fiel, se levanta e diz: Aham, quer enganar quem?

Espalhadas em dois continentes, nem todos estão aí, mas isso não importa, em cada um de nós tem todos de nós.

Cogito que o mundo deveria aprender conosco uma máxima:

não existe desistência de amizade, por nada, nem nunca.

Obrigada FaRmilia, meu coração palpita em outro tom quando meu olhar se cruza com o de vocês.

Obrigada.

A VIDA PEDE, Por Walkiria Tércia

Ouvi recentemente de uma mulher mais velha, que tenho como conselheira, essa frase: a vida pede, quando estava me queixando de não encontrar perspectivas para mudança.

E é como se houvesse uma pausa no tempo, ou uma suspensão, e me transportei pra momentos na biografia que ouvi ou senti esse pedido e claro que tem movimento, empenho, foco, mas me dei conta principalmente que o que sinto como momento de falta de perspectiva é a pausa, e que pouco me permito em vivê-la por conta de me render aos estereótipos de produção impostos e que ali acontecia o momento de me reconhecer na pausa e entender que na música a pausa traz harmonia ou dá a toada para o ápice ou o grande final.

E analogamente me reconectei a uma frase que usamos muito como doula para as gestantes: o que o seu corpo pede, seja durante a gestação ou trabalho de parto, então o quanto negligenciamos o que nos pede o corpo físico, não podemos sentir dor, cansaço, tristeza e seguimos negligenciando os pedidos que estão fora do padrão e dentro da vida, da nossa vida.

A vida também pede pausa, o movimento exige ritmo e nessa grande conexão está o descanso, não só nas grandes realizações a vida nos exige coragem, mas também para nos permitir pausar.

O que a vida te pede nesse momento?

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