QUE MULHER É A MÃE? Por Walkiria Tércia

O papel de mãe nos coloca num lugar de invisibilidade muito grande, lembro que na adolescência oscilava muito entre querer descobrir que mulher era minha mãe, quais seus sonhos, desejos, gostos, quem era ela individualmente e, ao mesmo tempo, a certeza de que ela era só a minha mãe. Aquela que cuidava e cobrava organização, higiene, boas notas, o bom comportamento. Ainda na infância é o colo, é o aconchego, mas logo esse lugar é subtraído e as mães cumprem apenas e exclusivamente o papel de mãe.
Tenho observado nas relações entre mães e filhas que conheço e na minha própria, o quão distante as mulheres que somos ficam distantes de nossas filhas e filhos, por conta do peso em ser o ser mãe, que cuida da estrutura e organização da casa sozinha(mesmo com companheiro).
Certa vez li algo que dizia o quanto a rotina, o cotidiano não permitia que as mães fossem extraordinárias, pois tudo o que é ordinário é de sua responsabilidade e não permite viver além, não permite que sejamos extra, apenas ordinárias, cuidando da ordem do dia.
A maternidade ainda é para grande maioria das mulheres, um sonho alimentado socialmente pela construção do papel do gênero feminino, meninas brincam de bonecas, de ninar e tem filhos quando adultas, se parirem meninas, logo estas ganharão um nenê para ninar, mas pouco se fala do peso da maternidade para as mulheres, do quanto tornar-se-ão invisíveis na sua individualidade, mas muito se fala da dádiva.
A dádiva de gerar um ser no sistema patriarcal vem acompanhada de dezenas de tarefas que esgotam, por serem depositadas única e exclusivamente sobre a mulher, que deve ser o ser do cuidado.
É preciso que meninos e meninas sejam educados para cuidar, acolher, e para explorar, aventurar-se, que meninos possam ninar nenês na infância e que meninas possam correr atrás de bolas, para que ambos se sintam capazes e responsáveis por todos os papéis existentes em uma família, para que pais e mães sejam admirados igualmente pelos indivíduos que são.

Quantas famílias você conhece onde o pai é o “cara legal”, brincalhão, alto astral?

Eis a pergunta, e Que mulher é a mãe?

BIOGRAFIA E AUTO AMOR, Por Erica Moscatelli

Amar a própria história
Quando eu terminei de escrever a história da minha vida eu tinha 41 anos, era o dia do meu aniversário e eu estava na Sagres – me dei de presente um processo biográfico.
Foi a primeira vez que tinha condensado os fatos mais relevantes da minha vida em algumas folhas de papel. A primeira vez que coloquei tudo na ordem certinha, do fato mais antigo, para o mais novo, confirmei as datas, notei meus sentimentos enquanto escrevia e registrei a história.
Sabe quando você termina de ler um livro ou de ver um filme e suspira: Nossa, que lindo!
Eu soltei a caneta e pensei: Meu Deus, que história bonita. Quanta coisa bonita aqui dentro, quanta alegria, quanto sofrimento, quanta solidão, quanta superação. Que bonita essa história.
Desprezar partes da história por angústia, vergonha, raiva, nos coloca como inimigas da nossa própria vida. Como posso negar algo que é meu, a única coisa que realmente é minha?
A minha história.
Também não me ajuda quando responsabilizo todos à minha volta pelas minhas decepções. As partes da história não migram para a vida do outro, continuam sendo apenas minhas partes da história.
Acho que é esse o primeiro e um dos mais valiosos presentes que o processo biográfico pode trazer: a possibilidade de se encantar e amar a própria história de vida.
E a partir daí, podemos iniciar a cura e buscar os impulsos para o novo, que já moravam ali mesmo, na nossa história.

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