A MINHA VERSÃO EM PRETO E BRANCO, Por Milene Mizuta

Eu nasci num sábado de carnaval, carrego em mim confete, tamborim, risos, suor e ritmo.

Carrego o carnaval inteiro, com ele o fim de noite da rua molhada, da solidão dos desatinados, do palhaço que se perdeu.

Tem um breu em mim, uma fração que chora, uma parcela índigo, uma quarta de cinzas.

Esse bocado, tão particular é o chão que eu planto meu reinado, é nele que eu sustento meus afetos, construo meus amores, faço nascer minhas criações.

Se você não conhece o meu desvario, minha lama, meu fundo cavado, você não me conhece, se não me viu chorar, dar de comer a que não tem, urrar de dor, jogar-me a insania, enlouquecer em ódio ao sistema, você não me conhece.

É nesse escuro do mundo que eu sou o mais particular de mim, no meu ódio, no meu medo, no meu mais profundo amor que em profusão de queima e combustão faz nascer minha jóia.

Desequilíbrio, me define muito mais que sensatez, e se te posso ser sincera, não recomendo aprofundar-se em mim, eu não valho a pena;

pena nenhuma.

Desfruta da minha superfície ensolarada, samba no meu molejo, porque o andar inferior da minha existência é tão mais verdadeiro que você certamente se horrorizaria do quanto o ser humano pode ser errado, faltante, imperfeito, incompleto, e com isso a única coisa que você teria, com certeza indubitável, é a liberdade de ser o que você é,

Liberdade, disso é feita a substância desse lugar preto e branco em mim, o chão da minha sementeira, portanto só pisa nele quem tem fé.

A Rafa, chegou num dia que eu estava doente e disse: agora você vai ser minha modelo.

Quando uma mulher te fotografa, ela te revela.

Essa Milene, só outra mulher seria capaz de encontrar, porque só quem faz parte da matilha, conhece as suas.

No meu máximo da vulnerabilidade ela desvela o maior da minha beleza.

O QUE EU QUERO PARA O FUTURO?, Por Walkiria Tércia

Durante algum tempo em minha vida foi difícil saber o que eu queria para o futuro, por não ter perspectivas ou por não acreditar no meu merecimento, ou por não entender a relação do meu presente com meu futuro, tudo isso vinha de uma leitura de mundo muito cotidiana e rasa, claro que muito embasada por um recorte de classe.

Em uma conversa com uma amiga recente ela me disse que não conseguia vislumbrar um futuro, saber o que deseja para um ou dois, ou dez anos, que me admirava por ter tanta segurança e esperança que me permitia pensar o que quero para o futuro, então perguntei: você sabe o que não quer para o seu futuro? Quando ela respondeu que sim, disse que já era um bom começo.

Essa conversa me gerou diversas conversas comigo mesma, porque quis entender em que momento da vida eu passei a planejar meu futuro, ter metas e entendi que foi quando iniciei o meu caminho de autoconhecimento, o processo de me entender e perceber como eu atuo no mundo, me trouxeram essa necessidade.

Ansiar pelo futuro e desejar conquistas e vitórias não é uma ilusão, mas é um desejar estar viva, com quem amo e realizando meu propósito no mundo, tendo muita consciência de todos os desafios diários, mas certa de que o futuro é meu e que o amor e a esperança num mundo melhor caminham ao meu lado.

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