OS PEQUENOS MILAGRES, Por Walkiria Tércia

Quando criança meu primeiro contato formal com religiões foi pela igreja católica, catecismo, missas, etc. Adorava ouvir sobre as histórias de Jesus e os milagres, depois na doutrina espírita também me dedicava a ler e pesquisar sobre milagres e nas demais experiências religiosas, espirituais me chamava atenção quando alguém falava sobre os milagres. E dentro de mim vivia uma vontade de presenciar milagres, mas sempre achava que eles eram grandiosos demais, o que, a meu ver, tornava-os quase impossíveis ou intocáveis.

Depois que conheci a Antroposofia, aprendendo sobre essa relação do Cosmo com a biografia humana, essa relação do macro e do micro, ampliou meu olhar para o cotidiano, os primeiros raios de sol, as diferentes tonalidades de cores da natureza, o perceber em mim movimentos a partir da respiração.

Me conectei aos pequenos milagres, que acontecem a todo tempo, no cotidiano, reparar uma flor nova no jardim, um ninho de pássaro no caminho da escola da criança, uma nuvem no céu com uma forma engraçada, um respirar profundo depois de um encontro de amor com alguém especial que não via há tempos. A conquista de algo muito esperado e desejado por longo tempo.

Mas o principal foi descobrir que o que caracteriza um milagre não é a sua magnitude, mas sim o quanto eu me permito ser preenchida pelo encantamento da vida que acontece diante dos meus olhos.

MATERNIDADE, Por Milene Mizuta

Obrigada meus filhos, por criarem maneiras e formas, mesmo que ao custo da sanidades de vocês, de sobreviverem a mim.

Questionadora fiel dos axiomas, coube a vocês nascerem de um ventre que dúvida da verdade absoluta vendida sobre o ser mãe.

Tarefa árdua a de serem conduzidos por uma mão que erra e sabe, que mente e sabe, que não tem certezas, que dúvida de si.

Obrigada meus filhos por sobreviverem as minhas incansáveis buscas por ter meu espaço egoísta. Sobreviventes do meu egoísmo.

Esse não é o melhor que posso fazer, faria melhor, mas minhas crenças sobre liberdade não me permitem, isso que faço é o que dou conta de fazer, desculpe por dizer que nego o meu melhor em detrimento de mim mesma.

Meus filhos, eu digo que talvez não sobrevivesse com tanta dignidade a tamanho maremoto que sou eu, por isso meu olhar pra vocês é de incansável e indiscutível admiração, é uma graça constante olhar pra vocês e dar-me conta de tamanha envergadura de alma, tamanha coragem e acima de tudo tamanho amor que, apesar de tudo que sangra, ainda cura.

E se não bastasse, ainda digo que vocês são sem nenhuma dúvida, as criaturas que me fazem dobrar os joelhos, que domam meus instintos, que apaziguam minha dor.

Certamente sem a grandiosidade de vocês eu já teria sucumbido à esse mundo insano e teria me transformado em muito pouco.

Em mim é gravado o momento que vi pela primeira vez cada um de vocês, e me lembro como se fosse agora aquilo que brotou em mim:

“Finalmente, te reencontrei”

Que as Deusas abençoem a coragem de vocês de retornarem a esse mundo como meus filhos.

Obrigada por me fazerem mãe.

Para vocês me dobro, eternamente.

Obrigada, por me deixarem construir, mais errando do que acertando, o amor que posso dar.

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