COMO SERIA O MUNDO COM AS CONSEQUÊNCIAS DAS SUAS AÇÕES, Por Walkiria Tércia

Foi numa aula de ciências na 6ª série, hoje 7º ano, que me fiz essa pergunta pela primeira vez, quando analisávamos os rótulos do que era consumido em nossas casas, conhecendo cada um dos ingredientes citados nos rótulos e também a composição das embalagens, na época óleo de cozinha ainda eram comercializados em latas e a embalagem de leite era saco plástico.

Dali em diante passei por várias fases, de cuidar para que não jogassem lixo no chão, recolher pilhas e baterias, separar o lixo, fazer compostagem, fazer campanhas de arrecadação de óleo para sabão artesanal, vender latinhas para projetos na escola, como aluna e como professora, formações na e para economia solidária, a fase de muita trilha e passeios na natureza, acampar, enfim tudo o que faz quem já passou pela educação ambiental. E sempre me chamava atenção as relações, de e com o trabalho que não eram saudáveis, sempre muita disputa e também nos conflitos socioambientais envolvendo as comunidades tradicionais e órgãos gestores, onde as relações se desumanizam e tornam-se institucionalizadas.

Até que cheguei na Pedagogia Social e encontrei caminhos para cuidar das pessoas e das relações, para construir relações mais saudáveis, começando por mim, me conhecendo mais e trabalhando com processos de desenvolvimento humano e facilitação de grupos.

Um dia desses, conversando com a minha cria de 11 anos, ela me perguntou: mãe, que faculdade você fez para ensinar as pessoas sobre a história de vida delas? Essa pergunta me fez viajar em toda a minha trajetória nessa "pegada humana" e o quanto a vida me preparou para trabalhar com Biografia e que esse trabalho é uma resposta a minha pergunta lá de trás.

Onde através da sua própria história de vida cada ser humano toma consciência de que cuidar de si é contribuir para um mundo melhor, consequentemente querendo que o outro se cuide e juntes cuidemos do Planeta, entendendo que "Um Outro Mundo é Possível".

TRADIÇÕES, Por Walkiria Tércia

As tradições me chamam atenção desde pequena, aprendi muito com meu vô e minha avó, na observação, ouvindo, na Cultura Caiçara, assim como muitas outras é na oralidade que se perpetua as tradições, pratos típicos, sobre a Folia de Reis e o Fandango, sobre o trato da mandioca, sobre peixes e sazonalidade, a relação das fases da lua com a pesca e as marés, assim como observar os tachos das tias avós fazendo doce de leite em Minas Gerais, ou rodeando o forno para roubar pão de queijo "quentin". Já em outra fase da vida tentei me desvencilhar das tradições por associá-las ao conservadorismo, mas na vida adulta descobri aí os meus grandes tesouros.

No fim do ano de 2023, montando a árvore de Natal, tradição aqui em casa, minha cria me agradeceu por repassar as tradições da nossa família para ela, numa conversa sobre dia de montagem da árvore, advento, Dia de Reis e me perguntou quem me ensinou a tradição das Noites Santas, então expliquei que aprendi na minha formação como Aconselhadora Biográfica, numa explicação bastante racional e então ela me diz: Mãe, você criou uma tradição para nossa família e eu vou ensinar para minhas filhas e filhos, isso me tocou tão profundamente, foi a primeira vez que visitei esse lugar de ser anciã.

Sei que há uma bela caminhada por conta da idade, mas também sei que esse papel não advém apenas com a idade e essa relação com o tempo e a responsabilidade com as tradições de minhas famílias, caiçara e mineira, me aqueceu o coração, com um sentimento de pertencimento a essa hereditariedade terrena traçada no cosmos.

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